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Flávio está forte na disputa contra Lula, diz presidente do Podemos

Publicado em 01/08/2026 06:30 Automática Fonte: revistaoeste.com
Flávio está forte na disputa contra Lula, diz presidente do Podemos

Quase todos partidos de direita e centro-direita estão declarando neutralidade em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Um dos poucos que ainda não se pronunciaram foi o Podemos. Em entrevista a Oeste, a deputada federal Renata Abreu, presidente do partido, afirma que a sigla, que realiza convenção neste domingo, 2, tem como objetivo manter a independência diante do que ela vê como polarização no Brasil. + Leia mais notícias de Política em Oeste A decisão sobre a neutralidade ou não em relação à candidatura de Flávio sairá na convenção. A lei eleitoral estabelece a data de 5 de agosto para os partidos políticos realizarem convenções, eventos para a confirmação de candidatos ou de apoio a alguma outra sigla. https://www.youtube.com/watch?v=Zpzth8lyZBo Uma definição, porém, já existe. A direção do Podemos, partido que desde 2022 ampliou sua bancada para 27 deputados federais, optou por não lançar um candidato ao Executivo federal, diferentemente do que fez na eleição anterior, quando Álvaro Dias concorreu à Presidência. Renata é deputada federal desde 2015, quando o Podemos se chamava PTN. No momento, segundo a parlamentar, é mais importante fortalecer a base do partido e buscar uma representatividade maior no Legislativo. Ela ainda falou a respeito da campanha de Flávio Bolsonaro e do fato de a direita não ter um candidato único para a Presidência. Ao fazer comentários sobre a definição de apoios e as plataformas do partido, a deputada disse que a prioridade não é tomar decisões pelo viés ideológico, mas sim em função das causas. Confira. O que levou o Podemos a, diferentemente de 2022, não ter candidato a presidente nas eleições de 2026? Entendemos que o ambiente está extremamente polarizado. Há muitos candidatos com perfil de centro-direita e o Podemos tem um perfil de centro-direita. Agora, nós estamos preparando quadros ainda, então é uma construção de uma campanha nacional. O momento é de consolidação do partido. O partido cresceu muito, somos 27 deputados federais hoje. No Estado de São Paulo, para você ter ideia, são 11 deputados federais, a segunda bancada. Temos candidatos ao governo do Pará, ao Senado por Tocantins, temos prefeitos de importantes cidades, mas nosso foco maior agora será a construção de um partido forte, preparação de quadros, algo no qual temos investido muito, para chegar à próxima eleição nacional com mais consistência. De que maneira o Podemos se alinha neste momento ao governo federal do presidente Lula, do PT? Somos independentes, mas não somos um partido de oposição, somos um partido que, quando as pautas são importantes, votamos. Crescemos por causa da boa articulação política e das próprias propostas do partido. Isso diz respeito à forma como respeitamos as decisões dos parlamentares, porque, quando digo que vivemos hoje em um Brasil polarizado, não me refiro exatamente a uma polarização ideológica. A senhora se refere a qual tipo de polarização? As opiniões são diferentes. O Nordeste é diferente do Sul. Então, o representante do Nordeste tem que ter um alinhamento com quem o colocou lá. O que fez o Podemos crescer muito foi justamente o trabalho de dar voz e fortalecer novas lideranças. Tudo é discutido com a bancada. As decisões são tomadas de forma coletiva. Em São Paulo, no anúncio do apoio ao governador, o Podemos foi o único partido em que estavam presentes todos os prefeitos, todos os deputados federais e estaduais. Neste sentido, a senhora vê o Podemos como um partido diferente de outros da direita? Temos uma estratégia de construção de grupo que os partidos têm deixado de lado. Cada prefeito nosso tem um acolhimento, tem um trabalho específico. Temos um programa de formação de líderes internacional. Então, por exemplo, enviamos nossos prefeitos para intercâmbios e cursos em Barcelona, pela Fundação Podemos, pelo Smart Cities. Temos uma parceria com a Universidade de Salamanca para a formação de deputados federais. Na realidade brasileira, muitas vezes, aspectos fisiológicos interferem neste tipo de construção de um conceito. Muitas vezes, o Podemos é incluído no bloco do Centrão, que frequentemente é associado a esses aspectos. Como lidar com essa situação? Apesar de o Podemos ser colocado como de centro-direita, não se trata de um partido de ideologia, mas de causas. Não existe uma ideologia estática em um mundo dinâmico. A construção do Brasil passa pela mudança de cada brasileiro, principalmente pela educação. Temos dois alicerces: formar cidadãos mais conscientes e defender causas que transformam segmentos, como a causa da mulher e a causa dos animais. A causa de hoje pode não ser a causa de amanhã, principalmente na era da tecnologia. No Congresso, naturalmente existem partidos ligados a vieses ideológicos e partidos fisiológicos. É difícil categorizar, mas realmente haverá momentos em que nós, dependendo da causa, estaremos ou não no mesmo espectro de outros. Quais são, na visão do Podemos, as reformas mais importantes para modernizar o Estado brasileiro e melhorar a gestão pública? Há algumas reformas que já foram, de alguma maneira, realizadas, como a tributária. A previdenciária também já teve avanços. A trabalhista, eu acho que pode ser ainda mais aprimorada; essa é uma discussão que precisa ocorrer. Agora, há mais duas que eu julgo que seriam muito estratégicas: a reforma administrativa é necessária, precisa ter um enxugamento, sim, de privilégios e da máquina pública. A outra é a reforma educacional, e esse é um ponto estratégico do país, na minha visão, e sobre o qual ninguém está falando. Nós precisamos discutir educação com seriedade. Não adianta somente falarmos de valorização dos professores, infraestrutura e investimento nas escolas. Enfim, temos que falar também da grade curricular brasileira. Hoje, mais de 70% do que é ensinado nas escolas não tem aplicação prática na vida das crianças e na sociedade. E como a senhora vê a candidatura de Flávio Bolsonaro, em meio a este grande número de candidatos de centro-direita e de direita? Essas várias opções da direita podem aparentemente atrapalhar, mas acredito que, na verdade, beneficiam o Flávio. Em que sentido? Se o Flávio começasse a passar por um processo de esvaziamento e tivesse poucas vias alternativas, com no máximo uma outra candidatura, os votos poderiam ir para esse candidato. Como há vários, quem não quer o Flávio acaba se dividindo entre (Romeu) Zema, (Ronaldo) Caiado e Renan Santos. Assim, no fundo, nenhum dos três cresce, e o Flávio acaba se colocando como o maior candidato da direita. Se houvesse, por exemplo, um único candidato, poderia, caso o Flávio desidratasse, haver uma migração, uma onda para ele. Mas isso hoje eu não consigo enxergar em hipótese nenhuma. A senhora considera então que, mesmo com essas alternativas, a direita mantém competitividade? Sim, neste aspecto, o Flávio é o maior nome hoje entre os que estão colocados dentro da oposição. Ele está forte. Eu acho que haverá segundo turno entre Flávio e Lula e não há eleição ganha para nenhum dos dois. Tudo será definido na última semana. Qual é a postura do Podemos em relação ao apoio ou não à candidatura de Flávio Bolsonaro? Ainda estamos em tratativas. Fizemos a convenção, a discussão já está aberta e foi encaminhada para a Executiva Nacional. Neste momento, estamos conversando com todos os nossos presidentes estaduais dentro do nosso projeto, que é a eleição de deputados federais, para termos uma definição a respeito. Por que a senhora acredita que o Legislativo é, neste momento, o melhor caminho para o crescimento do partido? Primeiro, o Legislativo ganhou muita força. Tem um comando muito grande. Segundo, em termos de estratégia partidária, podemos ter um partido que quer apresentar, como eu falei, opções para as pessoas. Nós precisamos fazer a lição de casa antes. Existe a cláusula de barreira, é necessário cuidar primeiro da fundação. Temos um planejamento estratégico de 10 anos, com metas, indicadores e tudo mais. E a grande verdade é que a consolidação de um partido político, o tamanho de um partido político hoje no Brasil, pela legislação, é medido pelo número de deputados federais. Não adianta você começar a construir um prédio pelo topo; é preciso cuidar da fundação. Leia também: "Plantação de vigarices", reportagem de Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha publicada na Edição 333 da Revista Oeste O partido já declarou apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoia Flávio Bolsonaro. Por que o partido não declarou ainda apoio a Flávio Bolsonaro? Precisamos respeitar a peculiaridade de cada Estado. Quando fazemos uma definição pelo Tarcísio em São Paulo, estamos respeitando as nossas lideranças locais, que escolheram esse caminho. Quando você fala de Flávio, ele está afinado com Tarcísio, mas, por exemplo, quando você vai para o meu deputado lá do Nordeste, a realidade é outra. Então, eu não posso tomar uma decisão nacional baseada no que é melhor para São Paulo. Qual a posição do Podemos em relação às fortes críticas dos partidos de direita às chamadas interferências do Supremo Tribunal Federal (STF) no Legislativo? Tudo tem que ser estratégia. Por exemplo, o projeto de mandato de ministro é do Podemos, do senador Lasier Martins. O fim do foro privilegiado foi um projeto de Álvaro Dias. E, quando eles colocaram esses projetos, foi muito antes de surgir a chamada direita radical. E eles nunca foram perseguidos por isso. Não era uma ofensa ao STF. O problema é quando você vai para um nível de ofensa pessoal. Como é possível resolver isso? Vamos fazer um projeto de mandato (limite menor para a permanência dos ministros no STF), por exemplo, mas vamos fazer sem radicalismo, sem xingar todo mundo, para que tenha viabilidade de aprovação. Porque, se virar guerra e ameaça, será muita gente ganhando curtidas em redes sociais, mas não conseguiremos entregar de fato a aprovação de uma lei que fará a diferença. O post Flávio está forte na disputa contra Lula, diz presidente do Podemos apareceu primeiro em Revista Oeste.

Conteúdo importado de: revistaoeste.com
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